Bancos éticos: quem são, o que fazem, onde vivem?

bancos éticos

Os bancos são as instituições nas quais o brasileiro menos confia, segundo a pesquisa Trust Barometer. Para muitos brasileiros é difícil imaginar a existência de bancos éticos. Mas eles existem!

Depois de 2008, um debate intenso e abrangente surgiu na esteira da crise financeira global. Recentemente a crítica se voltou para o próprio capitalismo, com manchetes da mídia colocando questões como “Crise no capitalismo” e “O que há de errado com o capitalismo?”. A atenção da opinião pública se voltou ao sistema financeiro internacional, questionando o papel e as atividades dos bancos em particular. Essa desconfiança fica mais evidente para quem está nas camadas mais pobres da população.

O Brasil está na última colocação no ranking mundial quando o assunto é a acessibilidade desses serviços, o pior entre todos os países da América e Caribe. Os bancos são considerados instituições relativamente sólidas, sob o ponto de vista financeiro, porém, o acesso da população e das empresas aos serviços financeiros é considerado muito limitado. O sistema financeiro nacional apresenta grandes dificuldades para incluir os mais pobres. Mais de 90% dos microempreendedores não conseguem abrir uma linha de crédito, essa é a realidade que pode ser combatida através da Firgun.

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Bancos éticos: quem são

Os bancos não têm dinheiro. Eles usam o nosso. Em poucas palavras os bancos pegam o dinheiro dos poupadores, transferem para quem quer um empréstimo, investem em empresas e títulos públicos. Enfim, fazem uma série de atividades com nosso dinheiro, mas o que é feito exatamente com ele nós não sabemos.

Também conhecidos como bancos sociais ou bancos alternativos, os bancos éticos são instituições financeiras cujos produtos não estão voltados exclusivamente para o lucro e especulação. Eles investem na economia real em coisas que realmente vão gerar riquezas e benefícios para as pessoas, ou seja, toda atividade econômica não especulativa. Em alguns casos têm sua estrutura interna fundamentada na participação cooperativa.

Os projetos financiados com o crédito concedido pelos bancos éticos devem gerar bem e serviços de forma direta. Eles não fazem, por exemplo, a concessão de créditos para consumo pessoal. O impacto positivo gerado, seja social ou ambiental, significa restringir as atividades financeiras a áreas que cubram serviços necessários e abandonados pelos bancos tradicionais, devido a baixa rentabilidade. São priorizados projetos de comércio justo, de grupos em situação de risco ou excluídos, educação etc.

A transparência é uma ferramenta fundamental para manter a credibilidade dos bancos éticos. Em certas entidades a acessibilidade à informação a respeito dos projetos beneficiados pelos crédito concedidos é ampla.

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Bancos éticos: o que fazem

Esses bancos conectam poupadores e investidores que querem transformar o mundo para melhor com empreendedores e empresas sustentáveis que fazem exatamente isso. O Triodos Bank, por exemplo, o primeiro dos bancos éticos, é especialista em sustentabilidade bancária há mais de 30 anos. Eles financiam empresas que agregam valor cultural e beneficiam as pessoas e o meio ambiente. As organizações que eles financiam com o dinheiro dos seus correntistas é uma demonstração disso. Ao procurar entender as necessidades dos clientes, dos negócios e mercados nos quais eles trabalham, ou sendo abertos e transparentes a respeito do que é feito com o dinheiro é chave para um setor financeiro sustentável. Afinal de contas, dinheiro é relação entre pessoas.

Eles estão dedicados a financiar mudanças positivas. Com essa intenção construíram um histórico de investimento em organizações que trabalham beneficiando a natureza ou o meio ambiente, negócios sociais e setores culturais e de bem estar social. O Triodos Bank entende que o sucesso dessas organizações vai resultar numa economia sustentável que é melhor para as pessoas, o meio ambiente que compartilhamos e a cultura.

Bancos éticos: onde vivem

Em 2009 foi fundada a Aliança Global para Bancos com Valores (Global Alliance for Banking on Values). Uma rede independente de bancos e cooperativas financeiras que compartilham a missão de usar as finanças para o desenvolvimento econômico, social e ambiental sustentáveis. A Aliança conta com a participação de 46 instituições financeiras ao redor do mundo; servem há mais de 41 milhões de consumidores; retém $127 bilhões de dólares em ativos sobre sua administração e dão emprego a mais de 48 mil pessoas.

Para ser um membro a organização deve fazer investimentos para encontrar soluções globais para problemas internacionais e assim promover uma alternativa viável e positiva ao atual sistema financeiro. Sua sede está no Triodos Bank, na Holanda.

Infelizmente não há nenhuma instituição financeira do tipo no Brasil. Alguns exemplos de bancos éticos ao redor do mundo são:

  • Triodos Bank, baseado na Holanda
  • Banca Popolare Etica, baseado na Espanha
  • GLS Bank, na Alemanha
  • Co-operative Bank, na Inglaterra
  • Citizens Bank, no Canadá
  • New Resource Bank, nos EUA
  • Banco FIE, na Bolívia
  • Cooperativa Abaco, no Peru

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