Projeto Confidere: apoio a empreendedoras egressas do sistema prisional

Egressas do sistema prisional

Pessoas egressas do sistema prisional enfrentam dificuldades para se (re)incluírem à sociedade. É necessário buscar o resgate da cidadania, entendida aqui como a liberdade para o exercício de direitos fundamentais. O Projeto Confidere, em parceria com a Firgun, tem o objetivo de contribuir para essa causa por meio do fomento à capacitação empreendedora e ao acesso a microcrédito justo.

Novamente nos aproximamos de uma organização capacitadora para promover impacto social pela veia do empreendedorismo. Porém é a primeira vez que trabalhamos com o público de mulheres egressas do sistema prisional. Por isso é um projeto especial para nós, criado para beneficiar pessoas em um estado de vulnerabilidade mais evidente. O Projeto Confidere é uma iniciativa da Universidade Presbiteriana Mackenzie, liderada pela professora Ana Lúcia Vasconcelos e que conta com apoio de professores de diversas áreas.


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Como funciona o Projeto Confidere

Inicialmente chamado “Responsabilidade Social: proposta de reinclusão social de residentes do sistema prisional brasileiro por meio da educação superior”, o projeto viabiliza a formação superior em uma renomada Universidade e a capacitação para o trabalho e exercício da cidadania, nos moldes do que estabelece o art. 205 da Constituição da República Federativa do Brasil.

Trata-se de um projeto-piloto, desenvolvido por docentes e discentes da Universidade Presbiteriana Mackenzie, mediante convênio celebrado entre a Secretaria de Administração Penitenciária do Governo do Estado de São Paulo (SAP), a Fundação Prof. Dr. Manoel Pedro Pimentel (FUNAP) e unidade do sistema carcerário que abrigue presos(as) em regime semiaberto.

Seu principal objetivo é contribuir para que o regime semiaberto cumpra seu papel, ao garantir qualificação profissional e aumentar o potencial de empregabilidade das participantes do projeto, incentivando o empreendedorismo. O projeto prevê uma etapa de acolhimento, capacitação das empreendedoras; criação de planos de negócio de pelo menos três anos e acompanhamento das atividades do negócio. O público beneficiado é composto por mulheres egressas do sistema prisional, tendo como foco a Penitenciária Dra. Marina Marigo Cardoso de Oliveira.

Firgun e empreendedoras egressas do sistema prisional

Como fintech de impacto social, temos a missão de levar microcrédito justo para empreendedores em situação de vulnerabilidade social. No entanto o Projeto Confidere está sendo uma novidade para nós. É a primeira vez que trabalhamos levando investimento para empreendedoras egressas do sistema prisional. Por isso fizemos algumas mudanças em nossa forma de agir.

Para fazer um empréstimo com a Firgun, o empreendedor precisa ter pelo menos um ano de negócio aberto. Em parceria com o Confidere, abrimos uma exceção, pois entendemos que o grau de vulnerabilidade demanda uma atenção especial. Além disso costumamos pedir um histórico do fluxo de caixa em uma de nossas etapas de análise financeira. Nesse projeto piloto as empreendedoras compartilharam com nossa equipe o plano de negócio elaborado na capacitação.

Dada essas mudanças nos processos, criamos uma plataforma específica para o projeto e iniciamos uma captação coletiva de investimento entre as comunidades Mackenzie e Firgun. Em uma lógica de investimentos peer to peer (de pessoa para pessoa), a rede pode apoiar pequenos negócios com aportes a partir de R$25. O montante captado para duas empreendedoras com sucesso totalizou R$12.000, R$6.000 para cada. Os juros cobrados são de 0,5% ao mês, elas têm 6 meses de carência e retornarão o valor em 24 parcelas. Os investidores receberão o dinheiro de volta mensalmente pela plataforma Firgun, recebendo principal mais juros e poderão utilizar o saldo para investir em novos projetos ou sacar para seus respectivos bancos.

O trabalho da Firgun se deu na criação da plataforma, análise de perfil financeiro e plano de negócio. A continuidade das nossas atividades prevê a captação de investimento para novas empreendedoras egressas do sistema prisional e a avaliação do impacto social gerado pelo microcrédito na vida das beneficiadas.

Sobre as empreendedoras apoiadas e financiadas

Desiree trabalha fazendo doces como confeiteira. Desde que saiu do cárcere tem fortalecido seu instinto materno junto ao crescimento do seu negócio, que traz o sustento da família. Sua principal fonte de recurso como capital de giro é o cartão de crédito, o que traz riscos para o negócio, gerando dívidas potencialmente difíceis de serem quitadas. Seu objetivo com o microcrédito é evitar que isso aconteça, utilizando-o para a compra de insumos.

O desafio da empreendedora está em crescer o negócio de forma sustentável para trabalhar com mais tranquilidade. Para isso ela pretende se livrar da necessidade de utilizar o cartão de crédito como fonte de recursos para seu capital de giro.

Pablina é uma empreendedora versátil. Ela trabalha com trança de cabelos afro e faz estampas para camisetas que são vendidas pelos seus irmãos para complementar a renda. Por enquanto sua principal atividade geradora de renda vem como autônoma na área de faxinas, mas seu desejo é se dedicar exclusivamente ao seu negócio. O que está indo melhor é o trabalho com os cabelos e é nisso que ela vai focar no momento.

Hoje a atividade empreendedora que mais gera renda para Pablina é o trabalho com as tranças. Ela tem talento nessa área, mas precisa investir na compra de insumos para poder aumentar o número de clientes. Além disso parte do dinheiro será revertido para a produção de camisetas, que são uma maneira de complementar a renda.

Sobre a Firgun

Uma plataforma de empréstimo coletivos com objetivo de promover acesso a microcrédito para empreendedores de baixa renda. Você pode investir valores a partir de R$25 para, além de promover oportunidade para quem mais precisa, ter taxa interna de retorno de até 12% ao ano.

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