Inclusão financeira não é só ter conta no banco

Inclusão financeira

Nosso trabalho está voltado para a base da pirâmide, para as classes menos favorecidas da sociedade brasileira, as chamadas classes C, D e E. Esses grupos são compostos por famílias que têm renda mensal per capita de até R$751. São 113 milhões de pessoas que vivem nessas condições e representam 60% da população brasileira. Essa é a realidade do nosso país. Tão rico, mas tão pobre ao mesmo tempo. Nosso trabalho é pela mudança dessa realidade, pela melhor distribuição de renda no Brasil, pela inclusão financeira.

Em novembro de 2011 foi lançado pelo Banco Central do Brasil, a Parceria Nacional para a Inclusão Financeira (PNIF). Este plano foi inspirado no movimento global de inclusão financeira liderado pelo G20. A PNIF buscou unir atores públicos e privados engajados em ações coordenadas para promover a inclusão financeira no Brasil.  Ela representa a catalisação de esforços necessária para adequar os serviços financeiros às necessidades da economia e da população e o faz:

  1. elevando o grau de educação financeira da população
  2. fomentando a poupança familiar
  3. fortalecendo os mecanismos de proteção aos usuários de serviços financeiros
  4. promovendo o desenvolvimento sustentável do microcrédito produtivo
  5. melhorando o modelo de correspondentes no país
  6. difundindo conhecimento sobre inclusão financeira no Brasil

Contribuímos para o movimento desenvolvendo nossos serviços em torno dos itens grifados acima. Com nossos programas de educação financeira, já em andamento, e a oferta de microcrédito sem juros orientado à produção, ainda em fase de validação.

Desenvolver a inclusão financeira significa atuar em diferentes frentes. Para além de representar apenas uma conta no banco, estar incluído financeiramente é ter livre acesso a serviços e produtos financeiros; saber usar os serviços financeiros; e tornar tais serviços e produtos relevantes para a vida diária do consumidor.

Afinal, como está a inclusão financeira do brasileiro?

Um estudo realizado pela Plano CDE e Fundação Getúlio Vargas (FGV) no final do ano passado teve como foco principal compreender o comportamento financeiro das classes C, D e E. E foram apontados caminhos para a inclusão financeira.

O estudo mostrou que:

  • 57% do público possui conta em banco, mas apenas 7% a utilizam mais de uma vez por mês
  • 27% conseguiram poupar no último ano, mas 39% destes guardaram o dinheiro em casa
  • 48% usam Whatsapp, mas apenas 5% realizam operações bancárias pela internet
  • 68% pagam contas em Lotéricas, apenas 10% em agências bancárias e 5% pela internet
  • 22% são empreendedores

Havia uma crença de que o comportamento financeiro dessas pessoas seria homogêneo, mas essa ideia estava errada. Aspectos demográficos como renda e idade não são suficientes para entender sua diversidade. Esse enorme grupo de pessoas está dividido entre conservadores, planejados e desorganizados em perfis puros ou mistos. Em números percentuais ficaram assim divididos:

Os conservadores

  • Comportamento financeiro bastante conservador
  • Baixo conhecimento de finanças
  • Pouco acesso a consumo
  • Prioriza consumo doméstico
  • Não acumula dívidas, mas também não consegue poupar
  • Muito baixo uso de instrumentos financeiros
  • É o grupo mais maduro (85% acima de 50)
  • Apresenta baixa escolaridade (fundamental incompleto 84%)
  • É o perfil com o menor número de filhos morando em casa (0,8)
  • 14% recebem benefícios do governo.

Os planejados

  • Maior organização financeira
  • Hábitos de consumo dentro de suas expectativas de renda
  • Gasta por indulgência e ainda consegue poupar
  • Tem contas em banco, mas seu uso é esporádico
  • Maioria poupa. Metade em espécie, em casa
  • Tem planos de poupar e investir
  • Tem mais informação financeira que os demais perfis
  • Maior parte é de trabalhadores formalizados (54%)
  • São mais jovens (50%)
  • Tem ensino médio completo (71%)
  • 11% recebem benefícios sociais do governo

Os desorganizados

  • Comportamento menos planejado
  • Tem dívidas em atraso
  • Tem poucas informações financeiras
  • A maior parte não está formalizada no mercado de trabalho
  • Não tem intenção de pagar as dívidas que acumula
  • Tem contas em banco, mas com baixo uso
  • Usa tecnologia, mas não para finanças
  • Há maior incidência de jovens e adultos de 18-49 anos (91%)
  • Tem ensino médio incompleto (83%)
  • Maior proporção de desempregados (35%) ou inativos (24%)
  • É o perfil com maior número de filhos morando em casa (1,64)
  • Tem o maior número de beneficiários de programas sociais, 40%

O estudo levou em conta 21 variáveis, entre elas o uso de banco, planejamento do futuro, poupança, hábitos de consumo, gênero, idade, escolaridade, situação educacional, grau de endividamento, contas em atraso, uso de tecnologias e conhecimento financeiro.

Conclusão

O público que compões as classes C, D e E precisa de produtos e serviços financeiros, e projetos de educação financeira mais segmentados, adaptados às diferentes realidades. Não dá pra trabalhar 113 milhões de pessoas com aquele discurso: “Ah, para as classes baixas a gente precisa de uma linguagem mais simples. A linguagem simples é importante, mas é preciso ir além”, afirmou Maurício de Almeida Prado, diretor da Plano CDE, um dos responsáveis pelo estudo.

O estudo mostrou a importância dos perfis planejados e conservadores, mas os grandes bancos não lembram de sua existência. As fintechs, empresas emergentes na área de finanças, podem ser um instrumento poderoso para a inclusão financeira.

Fonte

Estudo Plano CDE e Fundação Getúlio Vargas

 

 

 

 

 

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