Inflação: o que é e por que prejudica os mais pobres?

inflação

Inflação vem da palavra inflar, crescer. Quando falamos de economia a inflação quer dizer o aumento dos preços de produtos e serviços. Alguns anos atrás, com R$100 no bolso, você poderia comprar um número maior de produtos no supermercado em comparação aos dias atuais. Isso é o poder de compra do dinheiro, que vai diminuindo ao longo do tempo.

A inflação oficial é medida pelo IPCA, que quer dizer Índice de Preço ao Consumidor Amplo e tem seu valor divulgado mensalmente, podendo ser calculado anualmente. Em 2019 a inflação foi de 4,31%, ou seja, em janeiro daquele ano um produto que custava R$100, passou a custar R$104,31 em dezembro. O IPCA é definido pelo Sistema Nacional de índices de Preços ao Consumidor (SNIPC).

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O que causa a inflação?

A inflação pode variar por diversos motivos, os chamados eixos da inflação. Os mais velhos vão lembrar do período da hiperinflação no Brasil, entre os anos de 1980 e 1990. Naquela época os preços aumentavam a cada semana ou até de um dia para o outro. Segundo a plataforma ADVFN isso aconteceu por causa dos governos anteriores, que promoveram o desenvolvimento por meio de uma política de alto endividamento externo. Além disso o preço do petróleo subiu muito nessa época e a economia não estava crescendo o bastante.

Esse é um exemplo de como a inflação pode perder o controle por diferentes motivos, mas vamos entender no detalhe:

Inflação por causa do governo

O governo precisa gastar para garantir direitos básicos dos cidadãos. Porém, o governo não é uma empresa e a maneira mais comum que ele tem para conseguir o dinheiro é cobrando impostos. São criados impostos ou os antigos são aumentados. As pessoas que produzem os produtos e prestam serviços repassam o custo para o consumidor e os preços aumentam.

Outra forma que o governo tem para garantir seus gastos é por meio da impressão de dinheiro. Nesse caso o volume de dinheiro em circulação aumenta, mas como essa riqueza é criada “do nada” e não vem da melhora da economia os preços aumentam. Quando se tem muito dinheiro, mas o número de produtos é o mesmo os produtores e prestadores de serviço aumentam os preços, pois tem muito mais gente querendo comprar.

Inflação por causa dos cartéis

Um cartel acontece quando um grupo de empresas se reúne para definir o preço de um produto, o que é ilegal. Isso geralmente acontece quando o número de empresas que vende determinado produto ou serviço é pequeno. Em uma reunião rápida os donos dessas empresas podem combinar o aumento dos preços. Um exemplo comum é o cartel dos postos de gasolina.

Inflação por causa dos custos de produção

Sempre que a produção de um determinado setor da economia aumenta, as empresas vão repassar os custos para o consumidor. E isso não acontece só no caso citado acima, quando os impostos aumentam, mas de várias outras formas. É comum que as empresas façam empréstimos para viabilizarem suas produções. Se os juros aumentam o custo de produção delas aumenta e, consequentemente, os preços são elevados.

Outra questão que eleva os custos é o preço do petróleo, que é matéria prima para a produção de diversos produtos e da gasolina. O Brasil é um país onde o transporte dos bens é feito principalmente por meio de estradas, em caminhões. Se o preço da gasolina aumenta, o arroz e feijão também tendem a ficar mais caro.

Se o preço do dólar aumenta, as empresas que precisam trazer seus insumos de produção do exterior vão repassar os custos para o consumidor. Tudo isso influencia a inflação em um país.

Inflação por causa da baixa produção

Aqui é bom entender a questão da oferta e demanda. Vamos pensar na produção de sapatos. Se todo mundo decidir produzir sapatos, a gente vai ter mais calçados do que pés para vestir, todo mundo vai ter sapatos e vai chegar uma hora em que ninguém mais vai querer comprar os calçados. Para conseguir vender um par os produtores precisarão baixar muito os preços.

Agora imagine que todos os produtores de sapatos quebraram, pois não conseguiram vender e sobrou apenas um produtor na cidade inteira. Vamos chegar a um ponto em que os calçados das pessoas ficarão gastos e que todo mundo precise comprar sapatos novos, mas agora a produção está baixa e apenas uma pessoa vende sapatos na cidade. Este vendedor terá uma demanda enorme por seus produtos, mas não conseguirá produzir para todos. A solução é aumentar os preços.

Inflação por causa de opinião

A empresa ou o trabalhador acreditam que a inflação vai aumentar no futuro. Para não perder ganhos hoje a empresa adianta o aumento dos preços e o trabalhador, por sua vez, pede um aumento de salário. Ambas opiniões acabam contribuindo para algumas das causas citadas acima e podem desencadear um ciclo vicioso.

Por que a inflação prejudica os mais pobres?

Quando o Estado gasta mais do que arrecada ele pede dinheiro emprestado para a população, por meio da emissão de títulos públicos e se não existem pessoas suficientes para emprestar o valor necessário a solução é imprimir mais dinheiro. Como vimos isso faz com que os preços aumentem.

O dinheiro criado vai para suprir os gastos do próprio governo e para pagar as pessoas que emprestaram anteriormente, ou seja, pessoas que conseguiram poupar no passado e não passam por dificuldades. Na prática o grupo mais prejudicado é o das pessoas de baixa renda.

O que está acontecendo hoje?

Atualmente a inflação atinge em cheio os preços dos alimentos e bebidas. A população mais pobre sente na pele o impacto, pois gastam 25% de sua renda com alimentação. As pessoas mais ricas não gastam tanto nesse setor, tendo como principal gasto os serviços que por sua vez tiveram diminuição nos preços. Os descontos dados por creches e escolas particulares por causa da pandemia contribuíram para derrubar ainda mais o índice de serviços.

O Ipea desenvolve um indicador de inflação relacionado a faixas de renda. A faixa mais pobre tem renda domiciliar abaixo de R$ 1.650,50 mensais por família. A faixa mais rica tem renda domiciliar acima de R$ 16.5009,66 mensais por família. Segundo relatório do Ipea o aumento dos preços e do gasto com alimentos vem crescendo de forma acelerada na casa das famílias mais pobres, enquanto há uma queda nos preços dos serviços, cujo alívio é bem mais intenso sobre o orçamento das famílias mais ricas.

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