Por que o Brasil é um país de juros altos?

juros altos

O Brasil é um país de juros altos. No cartão de crédito e no cheque especial, dinheiro que está disponível para você usar na sua conta, mas não é seu, pagamos mais de 300% de juros ao ano. Ou seja, se você está devendo R$1.000 em alguma dessas modalidades de crédito, daqui um ano você terá que pagar R$3.000 para o seu banco. Os juros do crédito consignado, aquele que desconta automaticamente da sua conta a parcela que você está devendo, ficam em 35% ao ano em média.

Isso acontece apesar de a taxa básica de juros (Selic), definida pelo governo, estar em um dos níveis mais baixos da história do país.


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Por que temos juros altos no Brasil?

Para responder essa pergunta é preciso entender o que é spread bancário. O spread bancário é a diferença entre o custo que o banco tem para captar o dinheiro e o quanto ele te cobra de juros. Quando você investe com seu banco ele te dá um rendimento e quando você precisa de um empréstimo ele te cobra juros. A diferença entre o seu rendimento e o quanto ele está te cobrando é o spread. Por exemplo: digamos que você investiu em um CDB que vai te pagar 100% do CDI ao ano (hoje isso dá 5,5%). Depois precisou fazer um empréstimo e o mesmo banco vai te cobrar 40% de juros ao ano. O spread é de 34,5%.

O spread bancário no Brasil é o segundo mais alto do mundo. A gente só perde para Madagascar, segundo o Banco Mundial. Nossos vizinhos latinos têm spread mais baixos. A Argentina por exemplo, em tempos de crise, tem um spread de 12,3%. O nosso é de 32,2%.

É por conta desse spread bancário alto que o consumidor final vê a taxa básica de juros caindo, mas não sente isso no seu dia a dia. Quem mais sai prejudicado é o empreendedor de baixa renda, que precisa de um empréstimo para dar giro no seu negócio, aumentar renda e gerar empregos. Acontece que com os juros altos assim, fazer um empréstimo para investir em crescimento fica inviável.

Então qual a real causa do problema?

Os bancos argumentam que é por causa da inadimplência elevada, lentidão do judiciário, leis trabalhistas e muitos impostos. Mais informações sobre esses argumentos podem ser encontradas nesse livro, publicado pela FEBRABAN. Mas especialistas acreditam que essa visão é limitada e não enxerga a complexidade da situação. O Presidente da ABCD (Associação Brasileira de Crédito Digital), diz que o que ocorre é o contrário. A inadimplência é alta por causa do spread alto. 

A concentração do mercado bancário é uma das causas dos juros altos. De cada R$10 depositados, R$8,50 fica na mão de apenas cinco bancos (Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil (BB), Itaú Unibanco, Santander e Bradesco). Além disso Alguns bancos, por exemplo, estão em todos os elos da cadeia de meios de pagamentos. São donos de credenciadoras, bandeiras e emitem os cartões. Isso eleva custos para o consumidor.

A concentração piorou depois da crise de 2008. O Bradesco comprou o HSBC, o Itaú as operações de varejo do Citibank, o BB comprou quase 50% do Banco Votorantim e a Caixa parte do Pan. Isso é ruim para o consumidor final que fica com menos opções, mas é bom para o acionista do banco.

Isso nos leva a uma segunda causa para o problema. Os bancos mantém os juros altos para garantir lucros elevados. Mesmo com a queda da taxa básica de juros, vemos que os spreads não diminuem significativamente. Eles continuam altos. O custo de captação diminuiu, mas não foi repassado para o consumidor.

Qual a solução para os juros altos?

Em primeiro lugar é preciso conhecer esse mercado. Quanto mais informação menos provável fica cair em armadilhas financeiras e juros altos. Estudando e compreendendo melhor o setor bancário, vamos encontrar melhores soluções.

As Fintechs, empresas jovens que unem tecnologia e serviços financeiros, são uma saída. Em sua maioria oferecem opções de empréstimo com juros mais baixos que dos grandes bancos. Um exemplo é a Firgun, onde microempreendedores podem tomar empréstimos com taxas que variam de zero a 1% ao mês. Isso ocorre porque o empréstimo acontece de pessoa para pessoa e tudo é feito de forma online.

Além disso a Firgun nasce com o propósito de facilitar o acesso a crédito, propondo juros mais baixos e com isso a geração de oportunidades para quem mais precisa. O empreendedor consegue um empréstimo mais barato e do outro lado o investidor tem uma rentabilidade boa, de 12% ao ano.

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