Trabalhar com propósito é acreditar em si mesmo

Trabalhar com propósito

Trabalhar com propósito é o que move a Firgun e todos que conhecemos no processo de aceleração para negócios sociais do Social Good Brasil. A ideia era provocar um monte de empreendedores sociais a criar e validar soluções para problemas complexos de todos os tipos. E deu certo! Estamos trabalhando na construção de nossos sonhos.

Surdos fazendo aplicativos para comunicação; mães em prol do aleitamento materno, do cuidado com a primeira infância, do conhecimento acerca do próprio corpo; fotógrafos e filmakers preocupados em registrar o amor e a diversidade; arquitetas e engenheiras fazendo de tudo para viabilizar moradias de qualidade para quem mais precisa; viciados em tecnologia trabalhando com acessibilidade; educadoras que querem tornar praças em salas de aula; e por aí vai. Todos os ODS estavam retratados, todas as cores estavam pintadas. Cada um com a sua causa específica, seu propósito, com o que sabia fazer de melhor.

Pessoas autênticas, comprometidas não apenas em fazer um projeto social acontecer, mas também em torná-lo financeiramente viável no longo prazo. Estamos empreendendo negócios sociais. Alguns finais de semana em Florianópolis, muitas atividades, desafios, workshops, coffeebreaks e mentorias. Muita confiança no processo, amor na execução, muito choro e risadas também. Foi lindo.

Veja também – Impacto positivo: 5 mentalidades para transformar o mundo

Sobre trabalhar com propósito

Trabalhar com propósito é, para quem quer e sente a necessidade, buscar impacto social positivo no seu ofício. Primeiro descubra no que você é bom e com que causa você mais se identifica. Para trabalhar com significado não é preciso ter uma grande ideia, é preciso acreditar em si mesmo. Seja sua profissão qual for você pode fazer a diferença.

Para mudar o mundo não precisamos necessariamente ir para uma ONG ou assumir uma vida sem fins lucrativos. Esse é um caminho, mas não é o único. Terceiro setor e iniciativa privada devem trabalhar em conjunto. As soluções devem ser construídas em grupo, elas vão aparecer através do diálogo entre as diferentes partes interessadas em resolver um problema.

A nossa razão de ser é o empoderamento financeiro através do acesso à microcrédito sem burocracias. Queremos facilitar a vida de empreendedores populares. E você? O que te move? Quando sabemos a resposta dessa difícil pergunta estamos no lugar que temos que estar e emanamos solidariedade, queremos fazer o bem. Fazer o bem no sentido de buscar impacto social positivo. Não vemos mais o trabalho como algo descolado do nosso dia a dia com o propósito único de ganhar dinheiro.

Dinheiro com significado

Passamos boa parte das nossas vidas trabalhando e não é possível que o façamos toda semana esperando a sexta feira chegar ou a aposentadoria. A vida é muito curta, o que que a gente está fazendo aqui? É como aquela frase famosa de algum pensador:

“Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer… e morrem como se nunca tivessem vivido.”

Trabalhar com um negócio social significa resolver um problema, promover impacto social e lucrar com isso. Um salário gordo por si só é bom, mas qual sua motivação para fazer o que faz? As vezes estamos com tantas responsabilidades que não conseguimos nos fazer perguntas básicas: qual meu sonho? Qual minha razão de ser? Para quem trabalha com propósito o porquê das coisas está no centro. Está em fazer o que se ama e com isso fazer a diferença no mundo. Cada um com sua expertise, com a causa que mais tem afinidade, cada um fazendo o que pode para vivermos num mundo melhor.

Gente como a gente

Para você se inspirar trazemos alguns exemplos práticos que conhecemos no Social Good Brasil.

Bia Fioretti

Foi diretora de publicidade de grandes empresas. Executiva. Depois do nascimento do 1º filho começou a questionar seu trabalho. Esse questionamento ficou ainda mais forte depois de uma ida ao Espirito Santo, onde conviveu com populações tradicionais e viu a vulnerabilidade em que eles se encontravam. Ela foi crescendo na empresa que trabalhava e foi endurecendo, isso começou a ter impactos negativos em sua saúde. Decidiu mudar o rumo da sua profissão: hoje trabalha com grandes empresas, mas apenas em projetos sociais e em sua maioria ligados à saúde. Está ha 7 anos trabalhando com essa nova mentalidade, mudou seus hábitos de consumo e ao ajudar outras pessoas e praticar a empatia, se sente ajudada também.

Além disso também é responsável pelo projeto Os Segredos de Alice, um veículo de comunicação que buscar conversar com crianças e adolescentes sobre o corpo feminino. “Com informação cada um vai julgar o que é melhor pra si. Nao quero trazer a solução pronta. Quer convencer as pessoas pela escolha, quero ser a ponte.”, compartilhou.

Ricardo Sabedra

É um apaixonado por tecnologia e começou a trabalhar com programação. As coisas iam bem, mas se mostraram mecânicas demais para o seu gosto. Chegava, programava na frente do computador e ia embora. Queria trabalhar com algo palpável que desse um retorno. “Senti que estava na hora de ajudar alguém. Nunca fiz nenhum trabalho voluntário, nada assim, então senti a necessidade de fazer minha parte. Me diferenciar dos outros”, compartilhou. O desafio estava posto. Uniu seu talento com tecnologia à vontade de fazer o bem e viu uma oportunidade para trabalhar com propósito.

Seu projeto, chamado Blindsight, finalista do Social Good Brasil, é um cinto para cegos. O cinto vibra, avisando o usuário sobre obstáculos e também para indicar uma rota desejada. O projeto foi crescendo junto com ele. Começou em 2015, ainda na faculdade. A ideia veio de um filme de super herói, ele decidiu fazer um cinto sonar para cegos enxergarem.

Lorena Portela

Lorena teve tudo que precisou, sem luxos, mas com muito amor e muito suporte acima de tudo. E é por esse motivo que sente a necessidade de ajudar os outros. É sua forma de retribuir ao universo tudo o que recebeu. Tinha um trabalho repetitivo e burocrático, viu que não tinha jeito para isso. Começou a fazer uma faculdade de engenharia ambiental e foi para a Amazônia visitar uma comunidade ribeirinha. Ela queria entender o que era viver aí, quais eram os valores das pessoas. Viu a infraestrutura ruim em que viviam e a ficha caiu: “Faltam coisas básicas que aplicativos e tecnologias não resolvem. Quero trabalhar com coisas simples, baratas e que podem melhorar a vida das pessoas rápido.” Foi daí que surgiu a ideia do Sane Autonomia, um coletivo de bioconstrução voltado para desenvolver soluções de saneamento básico. Ela quer simplificar a vida, mostrar que podemos fazer as coisas por nós mesmos. Fazer seu esgoto, plantar sua comida, se envolver mais com a natureza. Ela se sente bem assim e gosta de ser reconhecida por isso.

Como todos que estão interessados em trabalhar com propósito Lorena é inquieta. “Esse sistema atual não serve mais, como que a gente muda isso? Recebi tanto na minha vida que é como se transbordasse. Estamos no mundo para crescer juntos. O sofrimento vai existir, mas se não estivermos unidos…a razão de viver é essa união. Não estamos separados. Ser humano e natureza, somos um só. Aos poucos vamos diminuindo nossas necessidades financeiras, de ver o estado como um provedor de tudo. Quando não precisarmos mais de tantas coisas vamos conseguir nos reconectar com a natureza e basear nisso as nossas reais necessidades.”

É melhor ser de propósito do que sem querer. O que achou da mensagem? Trabalhar com propósito é para você? Compartilhe suas experiências com o tema nos comentários. 🙂

4 thoughts on “Trabalhar com propósito é acreditar em si mesmo

  • 18 de outubro de 2017 at 10:34
    Permalink

    Durante os últimos 18 anos, busquei trabalhos que me pagassem só com dinheiro. Confesso que não sabia que existia outro tipo de pagamento e mesmo assim não me sentia parte daquele processo. Nos últimos dois anos descobri que o trabalho pode ter um sentido.

    Antes de saber que eu buscava solução para um grupo de pessoas, eu tentava a solução para um problema de escoamento da produção do sitio do meu Avô.

    Sempre me identifiquei com a agricultura mas nunca me vi vivendo disso com a mão na terra como meu vô. Quando decidi ajudar meu vô e passei a ter contato com esse mundo, olhando ele pelo ponto de vista de alguém que há anos atuava em projetos de tecnologia, percebi a ausência de organização básica desde o cultivo à venda. Como em todas as áreas, onde há falta de conhecimento do dono, surgem os mercado paralelos. Foi nesse ponto que me foquei. Não consegui ficar indiferente a tamanha distorção.
    Ao mudar minha rotina para atuar com a melhora da atividade da agricultura familiar,do meu avô, meu esforço passou a fazer sentido. A mesma hora de meu trabalho, agora, agregava para vários e não mais para um só.
    Eu percebi que eu não estava ajudando e sim ganhando a oportunidade de ser ajudado. Na busca de resolver um problema de consumo e produção responsáveis, fui recebido por um universo de pessoas que trouxeram sentido para minhas açoes e nada disso tinha contexto de assistencialismo, pelo contrário. O desafio está em criar valor provocando uma mudança e maximizando o o retorno financeiro de quem interessa na cadeia. Isso tudo fazendo uma entrega que multiplique benefícios para mais pessoas. Esse é o proposito da iniciativa Compre Local e, pessoalmente, é o tipo de energia que estou disposto a destinar no meu dia-a-dia.

    Reply
  • 18 de outubro de 2017 at 11:08
    Permalink

    Excelente texto! Representa muito o sentimento de quem quer fazer algo de impacto verdadeiro. Parabéns!

    Algo que me marcou muito na minha vivência até aqui como empreendedor social é a máxima “nada sobre nós sem nós”. Ela fala muito sobre a nossa relação com o problema que queremos resolver a importância de nos apaixonarmos muito mais pelo problema do que pela solução. Isso é algo válido em qualquer tipo de empreendimento mas é muito forte no empreendedorismo social.

    Reply
  • 19 de outubro de 2017 at 09:11
    Permalink

    O título por si só já desperta aquela sensação de que, independente do porquê, precisamos começar a mudança de dentro pra fora. Acreditar em mim foi o primeiro passo no SGB Lab pra me desprender das amarras da sociedade. A conexão com pessoas de diferentes lugares e projetos deixou o processo super rico e intenso. O propósito nasce de uma motivação por algo que vai além de nós e foi lindo ver que podemos fazer diferente, dando um passinho de cada vez. Seguimos em frente!

    Reply
  • 24 de outubro de 2017 at 14:57
    Permalink

    Me senti representada também! Parabéns pela abordagem do assunto e mostra das iniciativas. Deu vontade de mergulhar em cada uma.
    Eu tive a oportunidade de trabalhar com projetos sociais desde recém formada, há uns 15 anos. Amadurecer nessa estrada pra mim foi aprender a errar com a responsabilidade de fazer melhor pelo outro. E isso só é possível se for feito com o outro, aquele “beneficiário” do projeto que na vida real não vai só receber. Na melhor das hipóteses o alvo do impacto social é cocriador das soluções, porque o problema que eu quero resolver é dele. Simples assim, nem tão óbvio assim.
    No SGB Lab foi a vez de tratar de um problema que também era meu diretamente. Sou idealizadora do Amá, que nasceu pra inspirar um movimento social em prol do leite materno. O projeto nasceu junto com meu filho, que chegou prematuro e me ensinou como o leite materno faz diferença na vida de todas as crianças, em especial das que nascem mais frágeis. Acontece que esse é um assunto quase restrito à mãe e bebê. Não é à toa que somente 38% dos bebês do mundo mamam exclusivamente leite materno até os 5 meses de idade. É muito pouco e o preço é alto para todos, com altas taxas de mortalidade infantil, doenças crônicas na vida adulta, gastos que poderiam ser evitados na saúde pública, e por aí vai.
    A melhor combinação pra mim foi desejar trabalhar em algo que faça o bem para o mundo junto com uma motivação pessoal muito forte. Que bom que esse caminho é sem volta!

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *