Ela juntou solidariedade e investimento para crescer nos negócios

Michelle Fernandes

Michelle Fernandes, mulher, negra, mãe e empreendedora, nasceu na periferia de São Paulo em uma família humilde. Mas esta poderia ser a história de qualquer mulher brasileira que sonha com o próprio negócio.

Sua mãe, solteira, trabalhou como empregada doméstica a vida toda e para complementar a renda vendia marmitas e salgados. Até completar 17 anos Michelle morava com a mãe na casa de seus patrões, depois que eles faleceram a família deu para as duas uma casa no Capão Redondo, periferia da zona sul São Paulo, como forma de agradecer pelos serviços prestados durante tanto tempo.

Vendo o exemplo da mãe, Michelle Fernandes começou a nutrir a vontade de empreender. No entanto começou sua vida profissional trabalhando como assalariada em call centers e em cargos administrativos. Achava esse tipo de trabalho muito burocrático e por vezes, racista.


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O chamado para a ação

No seu dia a dia, Michelle assistia TV, lia revistas e não se via representada no mercado da moda e da estética. Ela queria ver e fazer algo para a mulher negra e de ascendência africana. Seu lado empreendedor via aquele problema como uma oportunidade. Era setembro de 2012 e ela estava insatisfeita no trabalho. Decidiu pegar R$150 que eram suas economias e começou o que mais tarde seria a Boutique de Krioula. Hoje uma referência para quem busca produtos voltados à moda e estética afro.

Michelle comprou os primeiros tecidos e criou um canal no youtube para ensinar sobre turbantes, produto que é carro chefe das vendas até hoje. Se inspirou em influências norte americanas, começou a fazer brincos também e foi um sucesso! Os brincos acabavam rápido. Seu marido, grafiteiro, faz os desenhos, ela a produção e o comercial. Procurando melhorar a renda, Michelle Fernandes e seu marido começaram a frequentar e ser convidados para workshops, feiras e eventos sobre cultura negra e turbantes onde faziam a maioria das vendas.

Uma pedra na subida

O primeiro obstáculo veio em 2015. Produtos semelhantes aos seus e muito mais baratos começaram a vir da China, isso fez cair as vendas e com elas o faturamento. Michelle teve a ideia de criar uma loja online para aumentar seu alcance e começou a importar tecidos da África para ter diferencial frente aos concorrentes, negociando com empreendedores do Senegal, Moçambique e Angola. As coisas começaram a melhorar e o empreendimento começou a ganhar mais espaço no mercado, mas então veio uma dificuldade maior ainda.

O ano de 2016 foi difícil para muita gente, a economia teve uma forte retração e a Boutique de Krioula sentiu. Para contornar a crise, Michelle apostou na diversificação dos produtos como vestidos e sandália e no uso de diferentes matérias primas para fazer acessórios. Além disso também começou a pensar numa estratégia de venda direta, na qual as próprias clientes se tornariam revendedoras.

A necessidade de crescer

Michelle fez um curso de capacitação empreendedora com o Empreende Aí. Uma escola que ensina empreendedores da zona sul de São Paulo sobre desenvolvimento de produto, modelo de negócio, estratégia de venda e outras matérias necessárias para a criação e manutenção de um negócio.

Confiante e com vontade de crescer a empreendedora orçou suas ideias. Ela precisava de R$4.000 para colocar sue plano em prática, mas o investimento era alto para ela. Michelle Fernandes foi ao banco para pedir um empréstimo e como já tinha um empreendimento estável, com mais de 4 anos, estava certa de que sairia com o recurso. Quando viu a dificuldade de relacionamento com a instituição e os juros que pagaria, desistiu da ideia. Não foi à toa, negros têm três vezes menos chance de conseguirem um empréstimo do que pessoas brancas.

A solução: o microcrédito coletivo

Nas aulas do Empreende Aí Michelle conheceu a Firgun. Uma fintech social que faz empréstimos entre pessoas com o intuito de facilitar acesso a microcrédito para empreendedores de baixa renda. O modelo é semelhante ao de plataformas de financiamento coletivo. A empreendedora contou sua história na plataforma e pessoas do Brasil inteiro puderam conhecê-la. Com valores a partir de R$25 fizeram aportes na Boutique de Krioula, investindo em uma mulher negra e periférica.

Michelle ganhou vários investidores e levantou R$300 a mais do que precisava. Com os R$4.300 na conta ela pode investir no seu empreendimento da maneira como imaginava e ainda sobrou para pagar os primeiros meses do aluguel de uma loja física. Ela cresceu nos negócios e dez meses depois ressarciu seus investidores sem atrasos, demonstrando melhorias expressivas na Boutique de Krioula.

O investimento que gerou impacto

Seu faturamento médio teve um aumento de quase 60% e a margem de lucro aumentou em 20%, pois com o empréstimo pode comprar matéria prima em larga escala. O impacto foi gerado pois a empreendedora estava capacitada para o crescimento e teve seu potencial reconhecido pela Firgun, que mobilizou investidores e acreditou no seu trabalho.

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